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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Chorando se foi quem um dia só me fez chorar



 Ao contrário do pensamento popular amplificado pelo goleiro Felipe, eu não fico feliz se meu time ganhar roubado. Eu quero que o meu time vença jogando bem, dando show, goleando, porém isso nem sempre acontece.  Em contrapartida, não desejo torcer por uma equipe que só jogue bem e perca sempre. Dito isso, salvo situações comprovadamente ilícitas, entendo que os erros fazem parte dos esportes e, em particular, do futebol.

Talvez muitos não percebam, mas boa parte da paixão no futebol advém da imprevisibilidade, e a imprevisibilidade pode ser composta por equívocos, ou por maneiras distintas de se ver a mesma coisa. Uma partida de futebol é vista de forma bem diferente para quem vai ao estádio, e de outra para quem assiste na TV, onde o narrador e comentaristas contam com recursos com os quais o ser humano “in loco” não dispõe.

Se há 40.000 pessoas em um estádio, cada um dos espectadores possui uma visão muito particular do jogo, mesmo que influenciado pelos demais que estão imediatamente ao seu redor. Por muitas vezes, a percepção diferente de dois torcedores lado a lado nas arquibancadas proporciona desentendimentos que podem chegar as vias de fato.

Façamos um exercício. Se não fosse o vídeo tape, quem em sã consciência ontem reclamaria da legalidade do gol de Márcio Araújo? E chamo os leitores a pensar que os lances que fizeram o jogo sair do marasmo foram originários de erros. O primeiro foi a expulsão injusta do zagueiro Chicão que, a meu ver, era o melhor jogador do Flamengo em campo (talvez o melhor do jogo até aquela altura).

O segundo erro foi o do defensor Erazzo, que sabidamente vem tendo, no mínimo, problemas de adaptação ao futebol brasileiro. O pênalti do equatoriano foi infantil, o que para um homem daquele tamanho é vergonhoso. Vi, revi, e vi de novo, não há o que reclamar foi muito pênalti. E desse vacilo saiu o gol que encheu de alegria e esperança o torcedor vascaíno, que já se convencia da vitória inexorável, talvez motivado pela péssima qualidade técnica da peleja, tornando improvável que o rival empatasse.

Naquele momento, com toda a certeza, o torcedor do Vasco sequer estava preocupado se o gol tinha saído de um pênalti existente ou não. O vascaíno nas arquibancadas cantava, incentivado pelos jogadores que estavam no banco de reservas. Gritavam “Olé!”, convictos de que “Hoje não! Hoje não!”. O Vasco foi o Campeão Estadual do Rio de Janeiro até os exatos 46 minutos do segundo tempo.
 
 
E aí, por tudo que eu conheço de Flamengo, tanto a Magnética presente no estádio, quanto o que assistia pela televisão, ou que estavam com o radinho de pilha, ou com o rádio do celular nos ouvidos, todos apostávamos na síndrome do vice que assola os cruz-maltinos. Afinal, por mais que o adversário se esforçasse, por mais que parte da imprensa desejasse que o Vasco fosse campeão para atenuar a queda para a Série B, não podemos deixar de lado o fato de que o Flamengo fez uma campanha que fez jus ao título.

Para que fique bem claro, o choro vascaíno não é pelo erro. Fosse assim, basta voltarmos no tempo e ver a quantidade de vezes que o Vasco foi beneficiado. Roberto Dinamite, o maior artilheiro de São Januário quer anular a partida? Então teremos que discutir a relação com a nossa Baranga predileta. Podemos conversar sobre 1974, final do Campeonato Brasileiro. Armando Marques anulou o gol de empate do Cruzeiro. Dinamite, merecemos saber qual foi o motivo, o lance está aqui:   http://www.youtube.com/watch?v=FDCDLhmG_dM

E contra o Flamengo? Sei que os rubro-negros esqueceram-se das vezes que o nosso time foi prejudicado, por que todos sabemos  que a Escola de Rubro Negrismo Racional nos ensina a não viver de chorôrô http://globoesporte.globo.com/rj/torcedor-flamengo/platb/2008/08/25/rubro-negrismo-racional/

E a vida seguiu adiante. Reclamar só serve para aumentar a dor.
Mas aí, diante da onda desse moralismo hipócrita que assola o País, vem um monte de gente tentar nos convencer de que não podemos comemorar o título de ontem? Eles acham que somos o que? A virgem que habita o baixo meretrício? Como bem disse o Galinho de Quintino ao ser questionado pelo Juninho Pernambucano, indagando se o Zico não teria vergonha de ganhar assim “roubado”. Nosso craque foi muito feliz ao afirmar “Já perdi de formas piores!”...

Rapidamente, de forma bem sincera, qual vascaíno tem vergonha desta vitória aqui? http://www.youtube.com/watch?v=n7TZn3OwgRk
Pimenta nos olhos dos outros é refresco...

E isso serve para todos os grandes clubes brasileiros. Em Belo Horizonte, o torcedor do América Mineiro vê seu time ano após ano sucumbir diante do Atlético Mineiro, cuja torcida está nesta neste momento chorando por outro erro na decisão de ontem. E sabem como o torcedor do Cruzeiro respondeu a isso tudo? Comemorando e encarnando nos galináceos.


Todavia, se após isso tudo, o vascaíno achar que não é vergonha seguir os caminhos tricolores, que fiquem a vontade para entrar na justiça, no STJD, na FIFA. E olha que o Carioquinha não vale nada! Imagina se tivessem que jogar novamente contra o São Caetano decidindo a Série B de 2014? Para sorte, ou azar, o Azulão submergiu. Mas, como todos sabem, o Bacalhau já pode comemorar sua volta ao mundo do Flamengo em 2015. Afinal, o vice também sobe para a série A.


Cordiais saudações Rubro-Negras!

Ricardo Martins – Embaixada Fla BH

Um comentário:

Rogerio disse...

Hahaa...Comentário mto pertinente...Show de bola...Saudações Rubro-Negras...