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sábado, 1 de novembro de 2014

VOLTANDO A FALAR DOS DRIBLES

Vamos aproveitar que amanhã o Flamengo vai jogar uma tremenda pelada, no Maraca (é nosso), contra o glorioso time da Chapecoense, e voltar a falar sobre a falta dos dribles no futebol.

É, porque se não sairmos de campo com 3 pontos, diante da Cha-pe-co-en-se, pelamordeDeus, né?

Se bem que sabemos que o Flamengo tropeça demais em times pequenos. O último foi o Botafogo.

Mas, vamos aos dribles!

Depois da vitória sobre o Atlético Mineiro, fiz um post falando da importância dos dribles, que havíamos ganhado graças aos dribles do Gabriel, que estava faltando drible no futebol... Drible... Drible... Drible...

E deixei uma pergunta no ar: porque estão rareando os dribles no nosso futebol?

Não quero nem saber do futebol dos outros países. Quero saber deste nosso problema.

O meu camarada Anderson Lopes me mandou o seguinte comentário: "O problema é que na base estão proibindo os meninos de driblar. E também porque, normalmente, os dribladores, com 11, 12 anos, são os menorezinhos do time. Como se agora se escolha o jogador pelo biotipo..."

O Anderson tem toda razão.

Este é o principal problema, mas a pergunta se mantém: por que não pode driblar?

Pôxa, essa é a grande beleza do futebol.

Quantas vezes um genial drible de um craque impressiona mais, muitas vezes te deixa mais feliz que um gol? 

Isso já aconteceu comigo e, com certeza, com quem está perdendo seu tempo lendo o que escrevo aqui neste cantinho.

Eu lembro das minhas peladas no Grajaú...

Eu era muito ruim de bola, mas como tinha pernas compridas e corria muito, jogava de centroavante, quando deixavam...

Estilo Brocador mesmo. Fazia gols de montão!

Acho até que eu era melhor que o Brocador. Falo isso sem o menor pudor.

Na verdade, eu era um ótimo goleiro, mas brigava demais para me deixarem jogar na linha, de vez em quando. Como eu fazia muitos gols, algumas vezes, a galera deixava, né? Principalmente quando o outro time era mais fraquinho. Além disso, havia um outro amigo, o Luís Cláudio, bom zagueiro, que também agarrava demais.

Como eu era perna-de-pau, raramente conseguia driblar alguém. 

Fazia meus gols na velocidade ou por estar bem colocado.

Mas quando eu conseguia driblar alguém... Vocês não imaginam a minha felicidade!

Ficava dias curtindo com a cara do driblado. Sempre arrumava um jeito de falar disso nas nossas conversas na esquina, que viravam a madrugada.

E o pessoal, é claro, só me sacaneava. Diziam que eu era tão ruim que a própria natureza me marcava...

Sacanagem...

Mas, vamos parar de falar da minha vida, que não interessa a ninguém. Vou tentar voltar ao assunto da falta de dribles.

Os treinadores das equipes de base dos clubes brasileiros, mudaram muito a sua filosofia.

Antigamente (e bota antigamente nisso), talvez até o final da década de 1980, os treinadores do infantil, infanto, juvenil, queriam descobrir talentos para o time de cima.

Lembra a frase? "Craque o Flamengo faz em casa".

Fazia, pois quando aparece um lá na Gávea, ele passa a ser proibido de mostrar o seu talento.

A ordem passou ser jogar, de preferência, em dois toques: recebe e passa ao companheiro melhor colocado.

Ai do cara que tente um drible e seja mal sucedido. Leva um esculacho e está arriscado até a ser mandado para o vestiário.

E podem ter certeza que tudo piorou depois que o Brasil foi tetra, na Copa de 1990, com aquele futebolzinho ruim, chato e irritante, onde os únicos talentos que se arriscavam a fazer algo diferente eram Bebeto e Romário.

O futebol feio e de resultados virou a fórmula da moda e ainda persiste, se bem que em menor intensidade.

Outro agravante é que, atualmente, os técnicos da base sonham (e com todo o direito) em um dia virarem técnicos famosos e bem pagos de times grandes.

Aí é que tudo se explica mais um pouco...

O "recebe e toca" tinha um motivo: o resultado.

Atualmente, os técnicos da base querem resultados. 

Só a vitória interessa (coisa óbvia), a qualquer custo, pois o treinador quer chegar ao clube orgulhoso, com a taça de campeão debaixo dos braços.

Muitos meninos que se profissionalizam têm técnica. Porque sabem fazer belas jogadas, dar um drible, deixar o adversário de bunda no chão.

E por que não fazem? Por que não tentam?

Porque a cabeça deles não deixa. Ficam com medo de levar bronca do técnico, vaias da torcida, xingamentos dos próprios companheiros.

Pô, se não arriscar, como saber se vai dar certo?

Aí não arriscam, aí nos deixam ver um futebol feio, apenas com rompantes de grandes jogadas, como fez o Gabriel.

Por estas e outras é que hoje fazemos festa pros outros.

Levamos goleadas de 7 x 1.

Ninguém tem o mesmo respeito à camisa da Seleção Brasileira. 

Respeitam muito a história, mas sabem que, hoje em dia, o nosso futebol só é capaz mesmo de contar belas histórias de conquistas épicas.

"E vamos partir pra cima do Brasil porque somos iguais a eles!"

Quantos craques em potencial passaram pelo Flamengo ultimamente e chegaram ao time profissional mal preparados técnica e psicologicamente?

Cito alguns atletas que muita gente vai me chamar de maluco, mas que foram talentos jogados fora, pois foram mal trabalhados na base. No time de cima já têm que chegar prontos. Isso é o correto. O resto é pegar experiência. E com nossa torcida rubro-negra impaciente...

Podemos citar, entre craques em potencial e outros que poderiam não ser craques, mas seriam grandes ou bons jogadores, que foram embora: Adryan, Erick Flores, Rafinha, Rodolfo, André Bahia, Andrezinho.

Grandes promessas. Algumas ainda lutam para ser o que deveriam, outros fizeram sucesso em outros lugares e alguns nunca serão nada.

Apesar do talento que carregam, a cabeça foi "mal feita", lááááá atrás, na base.

Quem tá me chamando de maluco agora, deve se lembrar que gritou muito das arquibancadas os nomes de alguns desses garotos...

De repente essa turma, que vinha bem, que tinha técnica, desaprendeu? Como?

Tá certo que vestir a camisa do Flamengo é difícil demais e ganhar muito dinheiro (às vezes) atrapalha.

Pra terminar, a culpa, definitivamente, está na formação de base.

Ou se muda a filosofia, ou vamos ver outros fracassarem e o futebol do Flamengo tendo que recorrer a jogadores de fora, contratados a peso de ouro.

Sem falar na decadência do futebol brasileiro em geral.

QUERO O DRIBLE DE VOLTA!

PASCHOAL AMBRÓSIO FILHO   

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