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domingo, 4 de março de 2007

Uma Tribo Chamada Flamengo

Uma Tribo Chamada Flamengo
43,4 MILHÕESTORCEDORES

Ronaldo Helal
Professor da Faculdade de Comunicação Social da Uerj


Dentre todas as torcidas do Brasil, a do Flamengo é disparada a maior. O gigantismo da Nação Rubro-Negra, estimada em 43,4 milhões de brasileiros, é uma boa base para uma reflexão sobre os "elos tribais" que se formam em torno do futebol. O que se segue são algumas pistas para um estudo sociológico mais profundo sobre o referencial simbólico que a torcida do Flamengo oferece.

Tentar explicar a popularidade do Flamengo não é uma tarefa fácil. Dizer que esta deve-se ao caráter democrático do clube é uma falácia que não se sustenta com dados históricos: o Flamengo era no início do século tão elitista quanto Fluminense e Botafogo. Atribuir às cores vermelho e preto uma atração maior exercida sobre as pessoas é também uma explicação precipitada e sem comprovação empírica: outros clubes do Brasil possuem essas cores e não são os mais populares em seus estados. Talvez uma explicação mais plausível encontra-se no fato de que o Flamengo, em um dado período de sua história, treinava em campo aberto, permitindo à população um contato mais próximo com os atletas, levando o jogo para o "homem comum". Ainda assim ficamos no terreno das especulações. Portanto, mais do que tentar buscar explicações para sua popularidade, torna-se fundamental entender as diferenças e singularidades que emanam desse fato.

Em uma crônica publicada em O Globo, no dia 2 de maio de 1964, o dramaturgo e escritor Nélson Rodrigues, ilustre torcedor do Fluminense, afirma o seguinte: "Todo brasileiro é um pouco rubro-negro. A alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda ou mais dilacerada, ou mais santa, só sei que é diferente". A observação carrega uma reflexão sociológica basilar para se compreender a singularidade da cultural da torcida do Flamengo. Ser a maior torcida significa também, neste caso, ser diferente, de uma qualidade singular. A quantidade denota aqui uma particularidade única no ato de pensar, agir e torcer pelo Flamengo.

No senso comum ouvimos repetidas vezes a sentença "quem não é Flamengo é anti-Flamengo". Janet Lever, uma socióloga americana, já observava em seu livro A loucura do futebol, que a intensidade dos sentimentos "anti-flamenguistas" que permeiam o universo das outras torcidas revelava um referencial simbólico básico para a compreensão das características culturais dos torcedores de futebol da cidade do Rio de Janeiro. "Os fortes sentimentos antiflamenguistas muitas vezes unem os torcedores adversários". E mais: sempre que o Flamengo enfrenta um outro grande do Rio, a mídia, refletindo o sentimento da cidade, destaca frases do tipo "O Vasco enfrenta hoje o seu rival mais tradicional - o Flamengo" ou "O Botafogo está pronto para a partida com seu arquiinimigo - o Flamengo".

Ora, sendo assim, quem é o maior rival do Flamengo? Para os flamenguistas com mais de 40 anos pode ser que seja o Botafogo, enquanto os mais jovens devem apontar o Vasco ou o Fluminense. Na verdade, o maior rival do Flamengo não se forma a nível estrutural. É uma questão de conjuntura. Hoje pode ser o Vasco, amanhã o Fluminense e depois o Botafogo e assim por diante. O flamenguista é Flamengo e ponto final. Ele não faz alianças com outros clubes em uma decisão que não esteja presente. Neste caso, a partida não lhe interessa. Mas quando está na final contribui, e muito, para a união dos adversários. O flamenguista está preocupado somente e tão somente com o seu Flamengo. Sabe de cor e salteado a escalação de seu time, mas tem dificuldades de escalar os adversários. Ao ler os jornais, concentra-se somente nas matérias que dizem respeito ao Flamengo, ficando bem secundário o noticiário a respeito dos outros clubes. E quantas vezes não se surpreende ao perceber que um torcedor de outro time sabe mais de Flamengo do que de seu "time de coração"?

Essas informações somadas àquelas de Nélson Rodrigues e de Janet Lever nos remetem para a importância de um estudo sobre o mapeamento cultural do universo futebolístico da cidade do Rio de Janeiro, onde o Flamengo é a base e o referencial para a formação dos elos tribais que daí emanam. Se todos são um pouco rubro-negros, conforme sentenciou Nélson Rodrigues, a tribo Flamengo é o paradigma exemplar do modo de ser carioca. Se "quem não é Flamengo é anti-Flamengo", conforme diz o ditado popular e observou a socióloga americana, a tribo Flamengo é o referencial para os sentimentos de torcer, de amar e de odiar tão freqüentes no universo do futebol.

FLAMENGO É FLAMENGO, O RESTO É...

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Ronaldo Helal
Professor da Faculdade de Comunicação Social da Uerj

7 comentários:

Anônimo disse...

O texto é do Ronaldo Helal, professor da Faculdade de Comunicação Social da Uerj. Favor colocar os créditos.
Ronaldo Helal
(autor do texto)

Anônimo disse...

Obrigado pela correção.

Flamengo Sempre

Anônimo disse...

Flamengo sempre, claro! Mas peço que seja feita a devida correção, pois além de ser o que deve ser feito por uma questão de "direito autoral", eu tenho muito, mas muito orgulho mesmo de ter escrito e publicado este texto na Revista do Flamengo.
Saudações rubro-negras,
Ronaldo Helal

Flamengo Eterno disse...

Já está feita a correção e peço desculpas pelo equívoco. Inclusive eu tenho essa revista.

Muito obrigado pela visita ao nosso humilde blog e gostaria de convidá-lo a enviar novos textos que publicaremos com todo o prazer

Envie para warley.morbeck@gmail.com

Grato e Flamengo Sempre

Anônimo disse...

Obrigado pelo convite. Mas a correção ainda não foi feita. O texto segue sem créditos.
Flamengo sempre!
Ronaldo

Flamengo Eterno disse...

Eu tinha postado, mas postado embaixo.

Agora postei embaixo e em cima para nãoi ter dúvida ;-)

Anônimo disse...

Obrigado.
Flamengo sempre!
Ronaldo