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sexta-feira, 27 de abril de 2007

O torcedor - Carlos Drummond de Andrade

Um conto onde o grande Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas da literaura brasileira, fala da emoção de ser Flamengo. Um reforço para os poemas e poesias que falam do Flamengo

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O torcedor

No jogo de decisão do campeonato, Eváglio torceu pelo Atlético Mineiro, não porque fosse atleticano ou mineiro, mas porque receava o carnaval nas ruas se o Flamengo vencesse. Visitava um amigo em bairro distante, nenhum dos dois tem carro, e ele previa que a volta seria problema.

O Flamengo triunfou, e Eváglio deixou de ser atleticano para detestar todos os clubes de futebol, que perturbam a vida urbana com suas vitórias. Saindo em busca de táxi inexistente, acabou se metendo num ônibus em que não cabia mais ninguém, e havia duas bandeiras rubro-negras para cada passageiro. E não eram bandeiras pequenas nem torcedores exaustos: estes pareciam terem guardado a capacidade de grito para depois da vitória.

Eváglio sentiu-se dentro do Maracanã, até mesmo dentro da bola chutada por 44 pés. A bola era ele, embora ninguém reparasse naquela esfera humana que ansiava por tornar a ser gente a caminho de casa.

Lembrando-se de que torcera pelo vencido, teve medo, para não dizer terror. Se lessem em seu íntimo o segredo, estava perdido. Mas todos cantavam, sambavam com alegria tão pura que ele próprio começou a sentir um pouco de flamengo dentro de si. Era o canto? Eram braços e pernas falando além da boca? A emanação de entusiasmo o contagiava e transformava. Marcou com a cabeça o acompanhamento da música. Abriu os lábios, simulando cantar. Cantou. Ao dar fé de si, disputava à morena frenética a posse de uma bandeira. Queria enrolar-se no pano para exteriorizar o ser partidário que pulava em suas entranhas. A moça, em vez de ceder o troféu, abraçou-se com Eváglio e beijou-o na boca. Estava batizado, crismado e ungido: uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

O pessoal desceu na Gávea, empurrando Eváglio para descer também e continuar a festa, mas Eváglio mora em Ipanema, e já com o pé no estribo se lembrou. Loucura continuar flamengo a noite inteira à base de chope, caipirinha, batucada e o mais. Segurou firme na porta, gritou: "Eu volto, gente! Vou só trocar de roupa" e, não se sabe como, chegou intacto ao lar, já sem compromisso clubista.

(ANDRADE, Carlos Drummond. De conto em conto, v. 2. São Paulo: Ática, 2001.)
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9 comentários:

ZAQUEL disse...

O texto está maravilhoso do Eterno poeta Drummond, ms consideremos ke ele era um eterno apaixonado pelo Vasco da Gama.

Eroniltom Araújo disse...

Poxa, muito fodão esse texto! É de arrepiar!

£eninha disse...

Parabéns pelo texto, lembrei de certas histórias que meu pai me contava.
Abraços!

Warley Morbeck disse...

É Leninha. Ainda estou esperando uma dessas histórias :-)

Beijo

Anônimo disse...

AI ESSE TEXTO É BOM MAS FLAMENGO PTS

Anônimo disse...

O texto e muito legal mais porque logo o flamengo?Flamengo é muito ruim...

Faz ouro mais sem colocar o flamengo.Qualquer outro time menos flamengo.

Warley Morbeck disse...

Só por que o Flamengo é o clube mais fascinante, mais apaixonante, mais mágico do mundo. Nenhum outro seria capaz do feito que o texto fala. Só o Flamengo.

nayara santana disse...

Olha adorei muito o texto exclusivo eu estou estudando esse texto O Torcedor tenho que ler e fazer o resumo :D estou gostando muito mas quero dar os Parabéns pra você Carlos Drummond de Andrade você é muito Dez espero que DEUS te abençoe muito :)
beijos e abraços
By:Nayara Santana *;

Anônimo disse...

flamenguuuuuummmm