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domingo, 13 de maio de 2007

Uma Nação de Respeito




Mais uma decisão. Mais uma vez o Flamengo numa final de campeonato num Maracanã lotado e tendo sua torcida como esmagadora maioria. Dessa vez era o Botafogo o adversário. (Faz realmente diferença?) Se bem que o time atual da estrela solitária é um time bem armado, com jogadores rápidos e habilidosos na frente, e é como um todo, indiscutivelmente, mais time que o Flamengo. Mas eu disse mais time. Apenas mais time.

A gente sabe que time resolve jogo quando não é o Flamengo o adversário, quando as arquibancadas não estão tomadas por aquele inconfundível mar vermelho e preto, quando não se está ouvindo o som quase ensurdecedor do hino rubro-negro cantado incessantemente no Maraca . A gente está, na verdade, cansado de saber disso. E me espanta a imprensa e o resto do arco-íris ainda duvidarem da inexorabilidade desse fato. Vi à saída do estádio alvinegros revoltados, esbravejando que tinham muito mais time que o Flamengo, e que mereciam muito mais o título. Que tinham o artilheiro do campeonato, que tinham mais gols marcados, que tinham a melhor campanha, que o Flamengo não ganhou um clássico sequer…
Coitados, eles ainda não entenderam …

Não entenderam que quando enfrentam o Flamengo numa final de campeonato não estão enfrentando apenas um time. Não estão confrontando números, nem estatísticas. Muito menos podem se valer apenas da lógica. Quando se enfrenta o Flamengo numa final de campeonato está se enfrentando uma Nação.
Uma Nação que joga junto, que não desiste nunca e que acredita sempre. E se é verdade que eles tinham mais time que o nosso, tinham que ter muito mais time pra superar essa Nação. Ontem, não levariam o título nem se resucitassem Garrincha e trouxesssem de volta Gérson e Jairzinho. Quanto mais com Dodô e cia ltda.
De qualquer forma, foi um jogão. Nem tanto no primeiro tempo, quando os times se estudaram muito e as chances criadas não foram tantas assim. Mas o segundo tempo reservou emoções para todos os gostos e para ambos os lados. O Flamengo acordou levantado e embalado pelas arquibancadas. Ontem havia do meu lado uma meia dúzia de catarinenses que haviam enfrentado 25 horas de ônibus para ver o Mengão de perto. E quando 70% do Maracanã levantou e resolveu que era a hora do Flamengo fazer um gol, comentei com um deles, apenas decodificando o significado daquela cantoria: ´É agora que a gente faz o primeiro`.

Não se passaram 2 minutos, e o Juan arrancou ali pela esquerda, foi ao fundo e cruzou pro Souza estufar as redes. Delírio total no Maior do Mundo. A festa antecipada, entretanto, não durou muito. Era cedo, e o Botafogo estava longe de estar morto. Em 5 minutos fizeram dois gols e viraram o placar. Vi a apreensão nos olhos rubro-negros dos catarinenses e comentei que se a torcida não esmorecesse, nada estava perdido. Dito e feito. Não paramos mais de cantar, e quando o Renato Augusto matou aquela bola ali na intermediária, deu aquele seu já manjado totozinho pra direita livrando-se do marcador e desferiu aquele balaço indefensável lá do meio da rua, teve-se a certeza que a noite seria mesmo rubro-negra.
Mas o placar ainda indicava 2 a 2, tal qual domingo passado, e assim terminou o jogo, levando a disputa para os pênaltis.

A vitória acabou cabendo ao time que tinha um paredão. Um paredão rubro-negro chamado Bruno, que já havia feito defesas milagrosas durante o jogo e que pegou logo de cara os dois primeiros tiros do Botafogo, calando de vez a cachorrada e decretando impiedosamente o já conhecido silêncio no canil.
O título coube , acima de tudo, ao time suportado por uma Nação. Essa mesma Nação já largamente cantada em prosa e verso, e que não deixa de impressionar até mesmo os mais experientes nos estádios. Uma Nação capaz de reverter uma virada construída em pleno 2o tempo, por um time tecnicamente superior, e após ter sofrido uma goleada vexatória no meio da semana para um inexpressivo time uruguaio.

Uma Nação agora 29 vezes campeã carioca.

Uma Nação de respeito.

Bernardo Teixeira


Um comentário:

Anônimo disse...

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