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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Almir Pernambuquinho - O primeiro "bad boy" do Brasil

O primeiro "bad boy" do Brasil

Tente lembrar o nome de um bom jogador de futebol, mas marcado pela indisciplina e pelo forte temperamento. Os mais jovens certamente vão esquecer de Almir Pernambuquinho: astro no Vasco, Santos, Flamengo e na Seleção Brasileira, o atacante é considerado o jogador mais brigão da história do nosso futebol. Sua personalidade forte e coragem lhe custaram a vida: durante uma briga num bar de Copacabana, Almir foi baleado. Foi na madrugada do dia 6 de fevereiro de 1973. Exatos 30 anos.

Almir Morais Albuquerque nasceu no Recife, em 28 de outubro de 1937. Passou pelo time juvenil do Sport Recife antes de chegar ao Vasco da Gama, aos 19 anos, quando recebeu o apelido "Pernambuquinho" e conheceu ídolos como Vavá e Bellini, que logo se tornaria seu padrinho de batismo. Não demorou para que a valentia diante dos adversários e seu estilo marcante - buscar a vitória a qualquer preço - o transformasse em ídolo da torcida.

Apesar do pavio curto, a qualidade do futebol de Almir era indiscutível. Chegou a ser pré-convocado para o time que disputaria a Copa da Suécia, em 1958, mas optou por ficar concentrado com o Vasco. Sua estréia na Seleção aconteceu em 1959, no Campeonato Sul-americano, meses depois de ter quebrado a perna daquele zagueiro. Ali demonstrou mais uma vez a sua valentia dentro de campo.

Brasil e Uruguai empatavam sem gols em Montevidéu quando, ainda no primeiro tempo, iniciou uma briga onde participaram praticamente todos os jogadores e até membros das comissões técnicas. A imagem de Didi aplicando uma tesoura voadora neste jogo ficou famosa. A Seleção derrotou os uruguaios - placar de 3 a 1 - e a estigma de que a Celeste vencia qualquer um no grito.

O "Divino Delinquente", como era chamado por Nelson Rodrigues no Rio, conquistou a cidade de Santos e o resto do mundo anos mais tarde, na final do Mundial Interclubes de 1963 contra o Milan. As duas equipes vinham de duas partidas emocionantes, cada um havia vencido por 4 a 2. No terceiro e decisivo jogo, em 16 de novembro, Almir substituiu Pelé, machucado, aos 30 minutos do primeiro tempo. E fez a diferença: sofreu o pênalti que resultou no gol do título para o Santos, fazendo jus ao apelido de "Pelé Branco", dado por Vicente Matheus, na passagem do craque pelo Corinthians.

Em 1966, já vestindo a camisa do Flamengo, protagonizou uma das suas últimas encrencas em campo. Na final do Campeonato Carioca, o Bangu já estava com a mão na taça ao vencer por 3 a 0. Indignado, Almir resolveu enfrentar todo o time no braço: armou uma das mais famosas brigas que o Maracanã já viu, tudo porque o atacante não queria que a torcida rubro-negra fosse humilhada com a comemoração do Bangu. De fato, o Bangu foi campeão, mas com o jogo foi interrompido, não houve festa - como Almir queria! O incidente quase culminou com uma expulsão definitiva do jogador dos gramados, o que não aconteceu: Almir encerrou sua carreira no América, em 1968.

Antes de ser assassinado, os jornalistas Fausto Neto e Maurício Azedo registraram, durante três meses, depoimentos do craque. Testemunho onde Almir não mediu palavras ao contar crimes cometidos contra jogadores, denúncias de corrupção e outras falcatruas. Entre as revelações, duas estavam relacionadas ao duelo contra o Milan, em 63: o atacante entrou em campo dopado e sabendo que o árbitro estava "comprado", assim poderia bater a vontade sem ser expulso... A biografia do jogador, publicada pela revista Placar naquele ano de 1973, foi relançada após a sua morte, com o título "Eu e o Futebol".

Independente das reações provocadas por suas palavras, Almir não tinha medo. Nem de falar, nem de agir. Tanto que, dias depois, no bar Rio-Jerez em Copacabana, se envolveu em um bate-boca com o português Artur Garcia Soares, ao tentar proteger um amigo. Levou um tiro na cabeça. Soares ainda matou o amigo de Almir e feriu um terceiro, pelas costas, quando tentava fugir. "Meu Deus, para quê tanta glória? Preferia meu filho desconhecido, mas vivo", perguntava chorando sua mãe, dona Dedé, no enterro do valente jogador.
Ficha técnica

Nome: Almir Morais Albuquerque

Posição: Atacante. Data de nascimento: 28/10/1937, em Recife (PE)
Data de falecimento: 06/02/1973, no Rio de Janeiro (RJ)
Clubes: Sport (1956), Vasco da Gama (1957 a 1960), Corinthians (1960), Fiorentina (1961), Boca Juniors/ARG (1961), Genova/ITA (1962), Santos (1962 a 1964), Flamengo (1964 a 1967) e América/RJ (1967 a 1968). Seleção Brasileira: sete jogos, dois gols.

8 comentários:

Wilson Hebert disse...

Grande Almir! De fato era um cara temperamental. Sei pouco sobre ele, muito menos sobre seu futebol, já que o caráter era mais evidente.

Bom relato e valeu a recordação.

Abs Warley.........

Wilson Hebert disse...

Grande Almir! De fato era um cara temperamental. Sei pouco sobre ele, muito menos sobre seu futebol, já que o caráter era mais evidente.

Bom relato e valeu a recordação.

Abs Warley.........

Flamengo Eterno disse...

Valeu pela visita, Wilson.

Estou sempre visitando seu blog também.

Espero que amanã vc comente uma bela vitória do Flamengo ;-)

Warley

Anônimo disse...

Mais uma grande figura lembrada pelo pessoal do Blog. Está cada dia melhor

Sérgio Brito

Anônimo disse...

MENGOOOOOOOOOOOOOO

Paulo Costa disse...

Muito bom. Legal que esse site traga histórias como essa para que os mais jovens conheçam.

Paulo

Anônimo disse...

Bebeu cara? Almir o primeiro "bad boy"?

Procure por Heleno de Freitas. Leia mais. Se informe mais.

Asura

Warley Morbeck disse...

De repente a frase está incompleta. O primeiro Bad Boy de um grande clube....