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quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Manto dos milagres

Flamenguista realista?! Não gosto de nenhum dos termos. Creio que nem exista esse tipo de criatura. Primeiro porque sou um confesso fla-ufanista que vive diariamente a magia de ser Flamengo na essência. E quando se diz: “sou Flamengo”, entende-se essa imperiosa e galharda autodenominação como um adjetivo de felicidade que será levada além-vida. Mais de cem anos de heróicas glórias atestam isso. Por isso, ou se é Flamengo ou se é Rubro-Negro ¬ o primeiro e único original (recuse os genéricos!) ¬. O termo flamenguista é só uma vã tentativa da horda arcoirista em tentar minimizar a magnitude da famosa e colossal magnética nação, guerreira massa defensora do Sagrado Manto dos Milagres, as honrosas vestes do Mais Querido da Galáxia.

Segundo, como ser “realista” em relação a mais mística agremiação esportiva? Até o portuga Manuel José, ex-técnico do Benfica, reconheceu essa força sobrenatural que envolve e unge o Mengo com o poderoso óleo dos vencedores nas mais difíceis batalhas. “Há no mundo cinco ou seis clubes místicos: Barcelona, Milan, Benfica, Boca Juniors e o maior de todos, o Flamengo”. Estas não são simples palavras jogadas ao vento que vem lá do outro lado do atlântico. É uma real constatação do que conta a história rubro-negra. E como um velho conhecedor do esporte bretão, “Dom” Manuel não esquivou de despir-se do arraigado patriotismo lusitano para render-se à magia do clube mais popular da ex-colônia terra de Santa Cruz.

Nestes 115 anos que contam a sua saga, o abençoado Clube de Regatas do Flamengo protagonizou inúmeros milagres. Como todos nós sabemos o primeiro aconteceu no dia 06 de outubro de 1895, quando abordo da baleeira Pherusa, um grupo de jovens destemidos remadores deram início à consagradora epopéia do clube do povo. Algumas horas após ser lançada na água para a sua missão inaugural, a Pherusa é atingida por um mar revolto e acaba naufragando. Agarrados ao casco da embarcação e correndo risco de morrerem devido ao mal tempo, os desbravadores flamengos precisavam tomar uma decisão rápida e corajosa. Foi então que o bravo Joaquim Bahia decidiu procurar ajuda percorrendo a nado uma enorme distância até o continente, no intuito de pedir socorro e salvar os demais companheiros. Mas como Deus já havia escolhido o Flamengo, a nau foi rebocada por outra embarcação que milagrosamente passava pela área do naufrágio. O que não tirou o mérito do ato de heroísmo do destemido Joaquim Bahia naquela que pode ser considerada a primeira demonstração de raça de um atleta flamengo.

Desde então os milagres se sucederam ano após ano, troféu após troféu, pódio após pódio. Alguns mais emblemáticos do que outros, a exemplo da conquista do primeiro tricampeonato carioca em 1944, com meio time entregue ao departamento médico. Quando já se esgotava o tempo regulamentar um moribundo Valido queimando de febre (e em fim de carreira) fez o milagroso gol de cabeça em cima do rival que desde então passaria a ser o nosso eterno freguês. Ou ainda em 1955 quando o escrete de ouro do basquete bateu mais uma vez o Vasco numa sensacional final disputada ponto a ponto e que acabou sendo emoção em demasia para o apaixonado coração rubro-negro do eterno presidente Gilberto Cardoso.

Tivemos ainda o gol de Nunes na final do Brasileiro de 1980, “ao apagar das luzes”, sacramentando uma inédita conquista para a geração de ouro. O gol de raça do Renato Gaúcho na sensacional semifinal de 87 contra o Atlético/MG em pleno Mineirão que conduziu o Mengo ao Tetra brasileiro. O título da Mercosul em 1999 dentro do Palestra diante do maior time do Palmeiras depois da “Academia palmeirense”, jogando com um modesto time de jogadores como Lê, Leandro Machado, Leonardo Inácio e Iranildo. Ainda no mesmo ano, alguns meses antes, o primeiro capítulo do quarto tricampeonato contra a base do bacalhau campeão da Libertadores numa sofrida partida salva pelo gol redentor do Rodrigo Mendes numa magistral cobrança de falta que congelou o ótimo goleiro Carlos Germano e incendiou o Maracanã.

“Hoje o Rio está em festa, brilhou nosso camisa 10. Que falta o Pet fez na Gávea, que gol de falta ele fez...”. Estes versos do excelente músico Álvaro Gríbel traduzem bem o sentimento de cada um dos 40 milhões de rubro-negros em relação ao milagre protagonizado pelo Pet em 2001. Um gol antológico, uma cobrança de falta a la Zico, cinematográfica. Um roteiro surreal transformado em realidade sob a interseção de São Judas Tadeu e com as bênçãos do Divino.

Milagre. Qual clube no mundo tem mais a seu favor essa “transgressão de uma lei da Natureza pela vontade de uma Divindade”? Quem tem mais a cumplicidade das forças invisíveis? A resposta natural é: o Flamengo! Uma entidade acima da esfera esportiva, uma religião para milhões de fiéis em todo o mundo. Uma poderosa manifestação de fé capaz de derrubar impérios e alcançar as mais “impossíveis” proezas. Nosso Manto é ungido e derruba todas as barreiras deixando outrora soberbos adversários embasbacados e incrédulos.

Portanto, não ligo se o aspirante de técnico entrará mais uma vez com três mil volantes e um falso meia, deixando Pet no banco numa partida na qual a bola precisa chegar com precisão ao ataque. Não importa se não temos certeza de como o Imperador vai reagir diante de mais uma situação de pressão a que está submetido e nem se o Love já desentortou o seu pé goleador. Na noite desta quinta-feira, 20 de maio de 2010, só é importante saber que os 11 corpos entrarão em campo para representar a nação vestidos no Manto dos Milagres. E então esses corpos só precisam fazer o combinado com os deuses do futebol: correr, suar, lutar, enfim, jogar com raça. Bastará isso para avançarmos na Libertadores. Pois o que depender do improvável, do humanamente inatingível, entrará em campo o nosso etéreo craque chamado Sobrenatural de Almeida.

Vai pra cima deles Mengooooooooo! Estamos unidos pela vitória!

Dica musical para hoje: “São Judas Ajuda”, de Leandrade.

Luiz Hélio é Flamengo, poeta e jornalista.
Presidente da Embaixada FLA-Juazeiro/BA

2 comentários:

Leonardo Kope disse...

Bos Sorte pro flamengo hoje.

Lucélia disse...

Textos assim deveriam chegar às mãos dos nossos jogadores! Pra eles sentirem pelo menos parte do q sentimos!!!