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sexta-feira, 25 de maio de 2007

O Primeiro Passo de um Gigante

O Primeiro Passo de um Gigante



Entre os inúmeros Clássicos dos Milhões que tive a sorte e a honra de presenciar não hesito em apontar com veemente satisfação: o Flamengo x Vasco que decidiu o Campeonato Carioca de 1978 foi insuperável nos quesitos # emoção e # importância histórica. Foi sublime e caótico ver o Flamengo Campeão Carioca de 1978!

Eram decorridos 41 minutos do segundo tempo, o ataque do Flamengo arrumou um córner. Zico corre e pega a bola para ele mesmo fazer a cobrança. Nessa hora confesso que cheguei a desanimar, afinal, não se tirava o Zicão da área numa hora decisiva. Mas voltei a roer meus dedos e a torcer pelo inevitável. Zico cobra e a jogada ensaiada exaustivamente junto ao técnico Cláudio Coutinho dá certo. Rondinelli entra voando por cima da zaga adversária e testa a bola com toda a força direto pras redes de Leão.

Eu fui um dos mais de 120 mil presentes naquele clássico dos milhões que decidia pelo segundo ano consecutivo o Campeonato Carioca. E a bronca do lado do Flamengo era enorme. Na decisão da Taça Guanabara de 76 Zico perdera um pênalti e na decisão do segundo turno do Campeonato Carioca de 77 fora a vez de Tita perder uma penalidade máxima pro bacalhau. O Flamengo dominara o campeonato de ponta a ponta, melhor ataque, artilheiros (Zico e Cláudio Adão estavam pau a pau), melhor defesa e o escambau mas ainda não ganhara do arquibacalhau. Como já tínhamos vencido a Taça Guanabara, bastava ao Flamengo ganhar também o Segundo Turno e liquidar ali a fatura.

O Flamengo vinha sendo reformulado desde a sua ridícula participação no Brasileiro de 78. Depois de um chocolate do Grêmio lá no Olímpico o cerebral Paulo César Carpegiani chegou a pedir as contas no vestiário caso não houvesse mudanças. A diretoria entendeu o recado e fez um grande negócio com o Cruzeiro, mandando pra Minas um monte de come-e-dormes, recebendo Raul e estruturando a partir desse grande goleiro a equipe que iria ganhar tudo nos anos seguintes.

Mas a partida foi duríssima, o Vasco bem armado e com a vantagem do empate. Leão, todo vestido de verde, estava impossível, defendendo as bolas chutadas pelo Flamengo e pelo Vasco também (o zagueiro Gaúcho quase marca contra ao cortar um cruzamento e mandar a bola no cantinho do seu próprio gol). A torcida se impacienta, o bumbo reto mangueirense dava um tom dramático ao canto dos torcedores na ponta dos pés "MengôôôÔ"!

Será que esse ano íamos sair da fila? A torcida do Flamengo tem faro apurado e sentia que aquele era o momento decisivo, o primeiro passo de quem se erguia pra conquistar o mundo.

Saímos. E saímos da fila direto pro Nirvana Esportivo, numa seqüência de vitórias, conquistas e recordes que entre outras proezas, permitiram ao Mengão permanecer invicto durante 52 partidas entre 1978 e 1979.

E tudo começou com o gol daquele zagueiro que veio de São José do Rio Pardo pra se tornar o Deus da Raça.

Aquele gol foi o primeiro passo de um gigante.


Arthur Muhlenberg

Um comentário:

Marcelle disse...

Fiquei muito emocionada ao ler este artigo. Pela descrição do jogo e da trajetória do Flamengo, senti-me parte dos 120 mil torcedores presentes no Maracanã, embora ainda não tivesse nascido. Tenho a sensação de que nós, rubro-negros, sofremos de um anacronismo sem limites. Não há noção de tempo. Há apenas um amor genuíno e imensurável, que às vezes penso fazer parte de nós desde os primórdios...