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domingo, 20 de setembro de 2009

O Sorriso de Dida

Morava no Rio de Janeiro, em Lins de Vasconcelos. Mais de uma vez, já disse, a minha ida para o Rio de Janeiro, em 1977, teve também, como forte componente, a minha paixão futebolística pelo Flamengo. Zico crescia nos gramados exatamente em 1977. E ali o Flamengo montava o time que seria o grande vencedor da década de 80.

Se Zico foi o meu ídolo de adulto, o ídolo de menino tinha sido Dida. Aliás, para Zico também. E ele ainda é o segundo grande artilheiro do Flamengo, perdendo apenas para o próprio Zico.

Foi justamente quando eu morava em Lins de Vasconcelos que Dida sofreu um aneurisma cerebral. Dificilmente alguém escapa de um aneurisma. O resultado quase que em 100% das vezes é morte instantânea. Mas Dida escapou. Foi operado.

Certo sábado, em meu apartamento, ouço pelo rádio o boletim médico do estado de saúde de Dida, recuperando-se em um hospital de Botafogo. Ele passava bem, já podia receber visitas, mas reclamava da ausência de amigos e, ainda, de torcedores do Flamengo.

Compreendi a dor da alma do antigo ídolo da massa rubro-negra. Dida estava só em um quarto de hospital e tinha saudades dos aplausos de um Maracanã lotado. Liguei para o hospital e pedi para falar com algum familiar de Dida. Atendeu-me a esposa do craque. Expliquei-lhe que não conhecia Dida pessoalmente, era um torcedor, desejando visitá-lo, apenas. Ela quase me disse venha imediatamente, tanta emoção colocou em sua voz para demonstrar que minha visita seria importante.

Recebido efusivamente pela esposa de Dida, percebi que minha presença ali era realmente importante.

Lá já estava, também para uma visita ao Dida, um ex-jogador de futebol. E, curiosamente, não era um ex-companheiro de clube e sim de time adversário. Não me lembro qual, mas era um ex-jogador do América, exatamente o adversário do Flamengo no tricampeonato de 1955, quando Dida fez os quatro gols do nosso time e deu a vitória de 4 a 1 sobre o América. Foi o primeiro tricampeonato carioca do Maracanã para a torcida rubro-negra.

A esposa de Dida me apresentou assim para ele:

Dida, esse moço é torcedor do Flamengo. Diz que você é o ídolo dele. Veio vê-lo.

Dida estava com a cabeça totalmente raspada, alguns curativos, ainda meio imobilizado na cama hospitalar. Convalescente, falava pouco e por murmúrios. Ao ouvir a explicação sobre minha presença naquele quarto de hospital, expressou-se pelos olhos. Depois, um sorriso. Vi tanta alegria e emoção em seus olhos e naquele sorriso, que percebi imediatamente: eu era ali um Maracanã lotado, eu era ali todos os torcedores do Flamengo, uma torcida inteira.

Jeferson de Andrade
http://mkt.flamengo.com.br/reidorio/

Um comentário:

Joaquim disse...

Texto Maravilhoso. DIDA, ídolo do Zico, merecerá nossa lembrança sempre!